No dia 20 de outubro de 2026, a AliExpress anunciou que vai entrar no programa de afiliados do YouTube Shopping, começando por Coreia do Sul, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Brasil. É a primeira marketplace realmente global a se juntar a Mercado Livre e Shopee, que já operam a marcação de produtos em vídeos no Brasil desde novembro de 2025. Para quem vive de marketing de afiliados e já usa (ou pensa em usar) o YouTube como canal, isso muda o tamanho do bolo — e vale entender como o programa evoluiu até aqui antes de decidir se compensa entrar agora.
Este artigo reúne a linha do tempo completa do YouTube Shopping no Brasil, os números reais de crescimento divulgados pela própria plataforma e por pesquisas de mercado, os requisitos atualizados para participar, como funciona o pagamento de comissão e onde a chegada da AliExpress se encaixa nisso tudo.
Como o YouTube Shopping chegou ao Brasil
O programa não nasceu com a AliExpress. Em setembro de 2025, o YouTube confirmou que o programa de afiliados estava “em processo de lançamento” no Brasil, pouco depois de o TikTok Shop ter começado a operar por aqui — um movimento que estudos da época projetavam poder representar entre 5% e 9% do e-commerce brasileiro até 2028, ou até R$ 39 bilhões em GMV.
O lançamento oficial no Brasil aconteceu em 7 de novembro de 2025, com Mercado Livre e Shopee como primeiras parceiras varejistas. Na época, o YouTube exigia pelo menos 5 mil inscritos para participar. Em 27 de março de 2026, a plataforma simplificou a regra: em vez de um número fixo de inscritos, a elegibilidade passou a seguir o novo nível ampliado do Programa de Parceiros do YouTube (YPP), que abre a partir de 500 inscritos, 3 mil horas de exibição em vídeos longos ou 3 milhões de visualizações em Shorts — o que baixou bastante a barreira de entrada em relação à exigência original de mais de 10 mil inscritos que valia em outros mercados.
Os números que mostram o tamanho do canal
Os dados divulgados ao longo de 2026 mostram crescimento consistente:
- Pesquisa da Kantar encontrada no lançamento: 95% dos usuários brasileiros consideram o YouTube a melhor plataforma para conteúdo relacionado a compras (95% para vídeos tutoriais, 86% para reviews de produto, 83% para unboxing);
- Em julho de 2025, mais de 25 milhões de usuários brasileiros pesquisaram conteúdo de compras na plataforma;
- Globalmente, o YouTube Shopping cresceu 5 vezes no 2º trimestre de 2025 em relação ao ano anterior;
- Em junho de 2026 apenas, pesquisas de compras feitas por usuários logados no YouTube no Brasil passaram de 90 milhões;
- Até maio de 2026, mais de 40% dos criadores brasileiros elegíveis já tinham entrado no programa de afiliados — um crescimento de mais de 1.200% na base em relação a 2025;
- O tempo de exibição de vídeos de compras no Brasil subiu mais de 120% em um ano, segundo Manuelle Pires, gerente de parcerias do YouTube Shopping no Brasil;
- Internamente, vídeos com marcação de produto e timestamp geraram 43% mais cliques em produtos do que apenas links na descrição; Shorts com o adesivo de produto tiveram mais de 40% mais cliques do que o botão de compras antigo.
Com esse volume, não é surpresa que outras marketplaces queiram entrar. A AliExpress é a primeira grande varejista internacional a confirmar presença no Brasil dentro do programa, abrindo caminho para o que o Social Media Today descreve como meta do YouTube de chegar a 35 mercados com o programa até o fim de 2026.
O que muda com a AliExpress
Segundo o comunicado oficial da AliExpress (divulgado em Hangzhou via PR Newswire), a parceria com o YouTube começou na Coreia do Sul em março de 2026 e “vai se expandir” para Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha — sem data exata de início confirmada por aqui ainda. Os produtos disponíveis para marcação vêm de uma curadoria chamada “Marcas+” (Brand+), com foco em três categorias: eletrônicos de consumo, esporte e lazer, e casa e estilo de vida.
Na prática, para quem já marca produtos da Amazon.com.br (recurso que já existia no Brasil antes da AliExpress chegar), a nova varejista vai disputar os mesmos espaços de marcação nos vídeos — o que pode pressionar comissões para cima, já que as plataformas competem pela atenção do mesmo criador. Até a publicação deste artigo, nem a AliExpress nem o YouTube divulgaram o percentual de comissão para o Brasil.
Como funciona a marcação de produtos na prática
Diferente de um link de afiliado tradicional na descrição ou na bio, a marcação do YouTube Shopping acontece dentro do próprio conteúdo:
- O criador acessa o YouTube Studio e vai até a aba de produtos (em Ganhar > Programas, ou Monetização > Compras, dependendo da região);
- Escolhe produtos da seleção disponível (Mercado Livre, Shopee ou, quando chegar ao Brasil, AliExpress) com base em dados de mais vendidos e em alta;
- Marca o produto no momento exato em que ele aparece — em vídeos longos, Shorts ou lives, incluindo conteúdo já publicado;
- O espectador clica na marcação e completa a compra direto na loja parceira;
- A comissão aparece no momento da marcação, então o criador já sabe o valor antes mesmo de publicar.
Funciona em vídeos novos e antigos, o que é uma vantagem real sobre outros formatos: um vídeo de unboxing de dois anos atrás pode voltar a gerar comissão sem precisar ser refeito.
Requisitos para participar
Para entrar no programa de afiliados do YouTube Shopping no Brasil hoje, o canal precisa:
- Estar no Programa de Parceiros do YouTube (YPP) — que agora abre a partir de 500 inscritos, 3 mil horas de exibição ou 3 milhões de visualizações em Shorts;
- Ter o criador residente no Brasil;
- Não ser canal de música, Canal Oficial de Artista, nem associado a gravadoras, distribuidoras ou editoras musicais;
- Não ter o público definido como “Feito para crianças”, nem grande volume de vídeos marcados dessa forma.
A inscrição é simples: no YouTube Studio, menu Ganhar > Programas > Participar agora, aceitar os termos específicos do programa de Shopping e começar a marcar produtos.
Como e quando a comissão é paga
A comissão é paga via AdSense for YouTube, entre 60 e 120 dias depois da compra — prazo que cobre o processamento do pagamento e a janela de possíveis devoluções do consumidor. É um ciclo mais longo do que a maioria das plataformas de afiliados tradicionais (Hotmart, Amazon Associados, Shopee), que costumam liberar entre 7 e 30 dias, então vale planejar o fluxo de caixa considerando esse prazo maior.
Vale a pena entrar agora?
Para quem já produz vídeo no YouTube e promove produtos físicos — seja review, unboxing ou comparação — o programa compensa pelo simples motivo de que roda em paralelo ao link de afiliado que você já usa. A marcação não substitui a Amazon Afiliados, o Mercado Livre Afiliados ou a Shopee Afiliados que você já usa nas descrições; ela soma mais um ponto de conversão dentro do vídeo, sem trabalho extra de divulgação.
O momento também ajuda: a chegada da AliExpress coincide com a reta final antes da Black Friday — já tratamos como se preparar para a Black Friday 2026 como afiliado — e segue a mesma lógica de outras parcerias recentes que ampliaram onde um afiliado pode captar venda, como a parceria entre Pinterest e Shopee e as datas duplas do calendário promocional. Se você já faz conteúdo de review ou unboxing no YouTube sem aparecer, a marcação de produto é um complemento direto ao que você já grava, sem mudar o formato do canal.
Dito isso, vale calibrar a expectativa: nem o percentual de comissão da AliExpress nem a data exata de chegada ao Brasil foram confirmados oficialmente até agora, e o prazo de pagamento de 60 a 120 dias é bem mais longo do que o das plataformas de afiliados tradicionais. Quem já está no YPP e produz conteúdo de produto não perde nada em ativar o recurso com Mercado Livre e Shopee agora; quem está de olho especificamente na AliExpress vai precisar esperar o anúncio oficial da data no Brasil para confirmar se o acesso já abriu no seu canal.
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